Já com a época natalícia no fim, é tempo de desmontar a árvore de Natal e comer o último pedaço de bolo-rei ou rainha para quem não gosta de frutas cristalizadas. Conhecem a história desta doce iguaria que nunca é esquecida nas mesas dos portugueses durante esta época?

A tradição do bolo-rei não é só portuguesa e tem mais de 2000 anos de existência. Reza a lenda que o bolo representa as oferendas que os reis magos deram ao Menino Jesus quando nasceu. A côdea representa o ouro, as frutas cristalizadas e secas simbolizam a mirra e o aroma do bolo o incenso. A sua forma redonda e com um buraco no meio poderão simbolizar a coroa dos reis. Os seus ingredientes são simples: massa branca e macia com muitos frutos secos à mistura, uvas passas e por fim, as frutas cristalizadas para enfeitar. Há alguns anos atrás era comum acrescentar no bolo-rei uma fava ou um brinde. Quem encontrasse a fava teria de pagar um próximo bolo-rei. A União Europeia entretanto proibiu essa tradição por razões de segurança e podemos comer o bolo-rei sem o risco de partir um dente ou ficar engasgado com uma fava…

(Imagem: Reprodução Cleofas)

Imagem: Reprodução Cléofas

O bolo-rei, contrariamente a que muitos pensam, surgiu em França no reinado de Luís XIV, para as festas de Ano Novo e dia de Reis. Com a Revolução Francesa o bolo foi proibido por causa do nome. Não há bolo-rei para ninguém! Vive la Republique! Felizmente como era bastante lucrativo e popular entre os gulosos o bolo não desapareceu, mudando o seu nome para gâteau des san-cullottes.
O bolo-rei em Portugal foi criado pela Confeitaria Nacional em Lisboa por volta do ano de 1870, influenciado pela receita francesa. Mas o mesmo se passou com a Implantação da República em outubro de 1910. Ou o bolo mudava de nome, por que ‘’rei’’ era o símbolo da monarquia derrotada, ou desaparecia. Os pasteleiros mudaram a sua designação, mas com o passar do tempo recuperou o nome original. Ainda continuamos a chamar bolo-rei e arranjamos-lhe uma ‘’esposa’’, o bolo rainha, que dispensa o doce das frutas cristalizadas.

Fonte: As Nossas Voltas

Isabel Bernardo
Isabel Bernardo
Nascida e criada em Lisboa, tem a literatura, línguas e turismo como formação e um carinho especial pelo património, história, escrita e música. Entra nesta aventura, pelo gosto que tem em construir historias e passeios e pelo contacto com as pessoas. Fora da Rota é isso mesmo! Uma viagem enriquecedora entre amigos, mostrando os encantos de Portugal!

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