O café faz parte da rotina para a maioria dos portugueses. Por cá o ir beber café é sempre aquele convite básico para se estar com alguém, para ”esplanar” um bocado, bebericar entre palavras, frases e risos. Em Portugal há mil e uma maneiras de se pedir um café. Vamos conhecer a sua história?

(Imagem: Reprodução Betrend)

Imagem: Reprodução Betrend

É certo e sabido que o café é daquelas paixões para a maioria dos portugueses, que não pode falhar na sua rotina diária. Uma boa desculpa para se sentir mais desperto logo pela manhã, para fazer uma pausa no trabalho ou simplesmente bebe-lo depois do almoço. Os mais gulosos não dispensam o pacotinho de açúcar, há quem goste com adoçante, mas os que não usam nem uma coisa bem outra, exibem orgulhosamente a chávena e sorvem deliciados esse verdadeiro néctar do despertar. O convite mais simples entre amigos é sempre o ‘’vamos beber um café?’’ mesmo que a ideia seja de beber outra coisa qualquer. Faz parte da nossa cultura.

Mas qual a origem desta bebida?

(Imagem: Reprodução Café Expresso)

Imagem: Reprodução Café Expresso

A sua origem transporta-nos à Etiópia, local da origem da  planta. Em 573 D.C. esta planta passa a ser cultivada para alimento e usada pelos árabes como bebida. A introdução desta bebida na Europa começou no século XVII em Itália, mais especificamente em Veneza, onde existiu o primeiro café público. A partir daí a sua fama foi-se espalhando e ao longo dos anos as ‘’casas de café’’ tornaram-se em lugares frequentados por artistas e intelectuais, transformando-se em espaços de discussão política e artística.
Em Portugal, a sua produção tornou-se num outro modo de exploração económica. No século XVIII, durante o reinado de D. João V, o café passou a ser produzido no Brasil, tornando-se num dos locais exportadores a nível mundial. Depois, passou a ser cultivado nas ex-colónias de Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e, mais tarde, Angola.

(Imagem: Reprodução Sagrado 07)

Imagem: Reprodução Sagrado 07

Inspirados pela moda dos cafés enquanto espaço de tertúlia, as cidades portuguesas passaram também a ter lugares que hoje em dia são autênticos museus e ícones da nossa cultura. Em Lisboa temos o Martinho da Arcada, lugar favorito do poeta Bocage, a Brasileira do Chiado, que tinha Fernando Pessoa como um dos seus assíduos clientes e outros artistas como Almada Negreiros, o Nicola no Rossio ou a Confeitaria Nacional na Praça da Figueira. Também ainda se encontram as casas que vendem cafés de várias origens, ou até mesmo máquinas de todos os tamanhos e feitios para o deleite dos verdadeiros apreciadores. Até dá gosto entrar e sentir o agradável cheiro do café acabado de moer…

(Imagem: Isabel Bernardo, Fora da Rota Tours)

Imagem: Isabel Bernardo, Fora da Rota Tours

Por Lisboa o café se chama Bica que é o expresso normal. Aliás, quando pedimos um café, não há que enganar, é expresso. Diz-se que Bica é a origem do acrónimo ‘’Beba Isto Com Açúcar’’ para incentivar as pessoas que não gostavam do seu sabor amargo, adicionando o açúcar. Coisa que arrepia os derradeiros fundamentalistas. Dizem que tira o seu verdadeiro sabor.
Mas já devem ter reparado que existem diversas formas de pedir café em Portugal, deixando qualquer visitante um pouco confuso. Sabem o que é um galão, uma meia de leite, garoto e abatanado? Eis um pequeno dicionário:

(Imagem: Reprodução Il Turista)

Imagem: Reprodução Il Turista

Garoto – Café com leite servido em chávenas pequenas
Meia de Leite – Café com leite servido em chávena grande
Galão – Café com leite servido em copo
Abatanado – Café servido com mais água, em chávena de meia de leite e com a mesma quantidade de pó de um expresso.
Café cheio – Um expresso com um pouco mais de café, enchendo um pouco mais a chávena
Café curto/ italiana – Um café ainda mais forte do que um normal expresso, mais concentrado
Pingado – Expresso com um pouco de leite frio
Carioca de café – Mais fraco que é aproveitado como segundo café. Ao tirar-se um primeiro mais curto, tira-se outro com os mesmos grãos de café
Café descafeinado – sem cafeína
Café com cheirinho – Com um toque de bagaço e que pode ser tomado como digestivo

Fonte – consultar aqui

Isabel Bernardo
Isabel Bernardo
Nascida e criada em Lisboa, tem a literatura, línguas e turismo como formação e um carinho especial pelo património, história, escrita e música. Entra nesta aventura, pelo gosto que tem em construir historias e passeios e pelo contacto com as pessoas. Fora da Rota é isso mesmo! Uma viagem enriquecedora entre amigos, mostrando os encantos de Portugal!

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