Se tem um lugar de sonho, muito próximo a Lisboa, esse lugar é a Serra da Arrábida e suas praias de água verde cristalina e natureza quase selvagem.

Imaginem só a cena… você cruza a ponte em direção ao sul e em menos de 40 minutinhos, mesmo que não pegue a autoestrada (e até melhor não pegar, pois as cidades antes da serra são super bonitinhas), estará entrando em um Parque Natural muito lindo, de um verde intenso que cheira a pinheiros, pedras de montanhas e sal.

O Parque da Arrábida foi criado em 1976, afim de preservar esse local tão único, onde podemos sentir um clima mediterrânico realmente diferente. A região que abrange dez mil e oitocentos metros quadrados de área verde e se que prolonga por 35 quilómetros de costa tem um solo diferente e um clima ameno, considerado um dos melhores de Portugal, que favoreceram a formação de espécies raras de vegetação mediterrânica.

Mesmos escondido entre as curvas de uma estrada sinuosa e até por vezes esquisita (há uma fábrica de cimento nela.. não se assuste), você chegará a mais um pedacinho de paraíso português: as praias da Arrábida. Para mim, entre o céu e as montanhas, esse mar é sem igual.

Abaixo algumas fotos comprovam que aqui a Natureza foi caprichosa demais e que até a estrada surpreende com seus túneis:

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Nesse paraíso, a maioria das praias não tem grandes estruturas. Algumas, como Galapinhos e a Praia do Coelho, ainda estão como quando surgiram: areia, pedras e mar – nada mais.

Essa última, a Praia do Coelho, tem acesso somente por uma trilha curta e bem complicada ou… melhor ainda…pela praia de Galapinhos, quando a maré estiver bem baixa.

Isso mesmo! Onde no fim da manhã eram somente ondas e muita água, ao fim da tarde, incrivelmente, um caminho de areia surge onde antes a água cobria uma pessoa de altura média e … wow…descobrimos outra maravilhosa praia
! Nas fotos a seguir, poderão ver como esse ¨milagre¨ acontece.

Mas, como não poderia deixar de ser, outras praias aqui já receberam o ¨toque” do homem.

A praia de Galápos na temporada oferece um pouco de facilidades como um restaurante e algumas tendas que vendem gelados e a Praia da Figueirinha, a maior delas e muito próxima já de Setúbal, tem acesso via transporte público, grande estacionamento, restaurantes, serviço de cadeiras com sombreiros e casa de banho pública boa.

Praias com estacionamento aqui somente da Figueirinha e a do Portinho da Arrábida, as demais não há onde deixar o carro e, no verão, estacionar na estrada, nos raros espaços que existem, será uma tarefá árdua. Além disso, das 9h às 21h o sentido é único, como explicarei a seguir (vale sempre se informar sobre atualizações nas leis de trânsito a cada ano).

Abaixo as escadas de acesso a praia de Galápos:

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Ou pela trilha a quem preferir…

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Aqui a trilha mais ¨rústica¨, assim digamos, para a praia do Coelho. Não se engane pelas escadinhas da foto, elas levam da areia da praia a trilha, alguns poucos degraus e.. era só isso mesmo, uma escada em ruínas!

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Comprovando como na maré baixa uma nova trilha se forma na praia de Galápos e, seguindo essa rocha da direita, você pode chegar a Praia do Coelho por onde antes era o mar! Vale a pena esperar e ir dessa forma, pois se pode ver ainda os crustáceos nas rochas e muita vida!

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E então, como chegar nesse lugar tão lindo?

Aqui a vista da estrada que leva a uma das surpresas do caminho: um Convento Franciscano, de 1542, plenamente integrado nessa vegetação mediterrânica. Uau!

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Há duas maneiras de chegar a Serra da Arrábida:

1. A mais direta e rápida desde Lisboa é pela autoestrada A2 em direção a Setúbal. Também é a mais chata, pois nada se vê e ainda se paga.. ou seja, não vá por essa!

2. Seguindo ¨Fora da Rota¨, a melhor opção é desde Lisboa, andar só um pouco pela A2 até a primeira saída que indicará a estrada Nacional 10 e, seguir sempre nela até a charmosa cidade de Azeitão, onde há uma vinícola muito interessante para visitar: Bacalhôa. Nela, pode-se agendar uma visita para ver a fabricação de vinhos, mas para compras na lojinha não é necessário. Também parada obrigatória em alguma confeitaria dessa cidade para provar os travesseirinhos de Azeitão, um doce típico deliciosa!

Após Azeitão, basta seguir as placas que indicam a estrada N-379 (que dizem Serra da Arrábida) até uma divisão da estrada que vai indicar, à esquerda, o Convento Franciscano (N-379-1) ou, seguir à direta que vai dar diretamente a todas praias.

Observação muito importante: essa estrada que vai no sentido Azeitão/praias  tem um horário bem restrito, você só poderá descer até às 9h da manhã, pois como os caminhões de cimento vem no sentido contrário durante o dia e a preferência é deles que, obviamente estão em uma subida íngreme super carregados com toneladas de cimento.

Wow…então o que fazer?

Duas alternativas! Se você já está nessa estrada, pegue o sentido da placa que indica o Convento! Irá subir bastante ainda, mas mesmo andando alguns quilômetros a mais, não irá esquecer das surpresas do caminho. A estrada é lindíssima para ambos lados que olhar. Conseguimos ver Lisboa em algum ponto à esquerda e, na direita da estrada, além de ver o litoral muito acima (preste atenção na cor desse mar e nas casas em meio ao mato) poderá conhecer o Convento que está imerso entre árvores e vinhas.

As fotos novamente comprovam as belezas da N379-1.

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O Convento data do século XVI e abrange 25 hectares. O Convento chamado Velho era constituído pelas capelas, algumas celas escavadas nas rochas (que se pode ver da estrada) e as guaritas de veneração. Em 1542, uma nova construção começou a ser edificada. O “convento novo”, todo branco (foto acima), está mesmo implantado à paisagem tamanha é a harmonia do espaço com a natureza. Um agrupamento de pequenas celas, uma igreja, capelas, pátios, corredores, refeitório e cozinha serviram, até 1843, os monges, altura em que foram extintas as ordens religiosas em Portugal. Para mais informações visite o site da Fundação Oriente, inclusive para agendar visitas.

Agora que você já viu o Convento e a vista da estrada, basta continuar o único caminho que ela leva até um entroncamento. Para a  esquerda o caminho levará a cidade de Setúbal e, para a direita, as praias, começando pela mais urbanizada de todas (Figueirinha) até chegar as mais selvagens.

Ou seja, uma saída de Lisboa rápida e podemos passar um dia maravilhoso, a dirigir em estradas lindas, a passar por cidades charmosas cheias de sabores, com direito a visita a um Convento incrível , muito mar de água transparente e calma…energia renovada!

E, de quebra, que tal a janta na simpática Setúbal?

Afinal, já que a estrada fica interditada para voltar pelo caminho que se vem, siga pela outro sentido, pare um tempo em Setúbal para finalizar esse dia de praias selvagens e de natureza intensa e, após, retorne a capital.

Um passeio completo e inesquecível, garanto.

Grazielle Favretto
Grazielle Favretto
Jurista de formação e viajante por paixão! Blogueira e eterna pesquisadora de roteiros alternativos, a Grazi é italo-brasileira e escolheu Portugal para viver, após olhar vários cantinhos pelo mundo em suas viagens. Nesse lindo país, vai continuar descobrindo mais e mais lugares, compartilhando as aventuras e, agora, quer levar todo à Fota da Rota!

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