Sexta-feira 13, foi sempre associada a um dia de azar e muito por causa do seu número. São diversas as origens desta superstição: uma pagã vinda do norte da Europa, outra de França com os templários, outra mais cristã com a morte de Jesus Cristo e a Última Ceia. Seja qual for a origem o que é certo é que quando damos conta que é sexta-feira 13, o melhor é bater na madeira três vezes não vá o diabo tecê-las. Em Portugal essa superstição também existe, mas é celebrada numa terra algures perdida no profundo norte. Chama-se Montalegre e tem vindo a tornar-se num destino popular de celebração deste dia supersticioso. Nós por cá arranjamos sempre razões para festejar, mesmo em dias que poderão dar azar.

(Imagem: Isabel Bernardo, Fora da Rota)

Imagem: Isabel Bernardo, Fora da Rota

Sexta-feira 13? É melhor não sair de casa e cruzar-se com um gato preto. Certamente que nenhuma destas superstições nós seguimos até por que hoje é dia de mais um passeio guiado com a Fora da Rota Tours sem incidentes e com boa disposição. Para além disso, temos também um gato preto como mascote.

Mas sabem qual é a origem da superstição em relação à sexta-feira 13? Há várias histórias relacionadas com este número. Para já, vem a seguir ao 12, um número perfeito. Temos 12 meses do ano, 12 signos do zodíaco, eram 12 os apóstolos de Jesus e, a seguir a isto vem o 13 e dá cabo das contas. Assim aconteceu na última ceia e  nos tornámos supersticioso quando se tem 13 à mesa numa reunião ou num jantar.

Conta-se igualmente que esta superstição pode ter origem no dia fatídico de 13 de outubro de 1307, em que a Ordem dos Templários foi considerada ilegal pelo rei francês Filipe IV. Muitos dos templários foram torturados e mortos e reza a lenda que um deles lançou uma maldição contra o rei e o papa que morreram um ano depois.

Também temos a lenda vinda dos deuses nórdicos: 12 deuses foram convidados para um banquete e Loki, o espírito do mal e da discórdia, apareceu na festa sem ser convidado, lançando o conflito que acabou por provocar a morte trágica de Balder, o favorito dos deuses. Lição que se aprende desta história: Organizar uma festa com 13 pessoas pode não ser boa ideia. Melhor 14. E convém não deixar ninguém que tenha um temperamento difícil como Loki, fora do convite.

(Imagem: Reprodução Revista Port)

Imagem: Reprodução Revista Port

Em Portugal a superstição da sexta-feira 13 é celebrada com grande festa em Montalegre, uma vila que se situa bem a norte de Portugal, quase na fronteira com Espanha, na região montanhosa de Trás-os-Montes. Estas celebrações tornaram-se tão famosas que colocaram esta vila remota no mapa. E tudo isso graças ao Padre Fontes, homem que tem dedicado a sua vida ao estudo de medicinas alternativas e ao paganismo. Nessa mesma região o padre Fontes tem sido desde 1983, o principal responsável pela organização do Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes e a festa da sexta-feira 13 em Montalegre, desde 2002. Ambos os eventos são os principais impulsionadores do Turismo na região, atraindo muitas pessoas. E não é à toa que assim é. A região de Trás-os-Montes tem muitas histórias, lendas e misticismos de influência celta e muitos dos cultos pagãos estão enraizados na cultura desta região.

Na noite de sexta-feira em Montalegre, as bruxas saem à rua e muitas destas histórias e lendas são espetacularmente contadas tendo o castelo da vila como cenário. O ponto alto em que todos aguardam ansiosamente é quando o Padre Fontes aparece para  fazer o seu Esconjuro (exorcismo) expulsando as bruxas e os espíritos malignos. E mais não dizemos. Sendo supersticiosos ou não, ir a Montalegre na sexta-feira 13, será certamente uma experiência inesquecível.