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O primeiro balão do mundo no Castelo São Jorge, Lisboa/ The world’s first balloon in São Jorge Castle, Lisbon

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Voar de balão pelas paisagens exuberantes da Capadócia, região da Turquia, pelos magníficos desertos em África ou lindíssimos Festivais de Balonismo como em Temecula, na Califórnia..quem nunca sonhou? Até mesmo sair livre e solto, pendurado em milhares de balões céu a fora, voando livremente como visto em filmes ou até mesmo em finais trágicos como a do padre brasileiro que, em 2008, acreditou que poderia mesmo ser carregado quilômetros  de distância amarrado em balões coloridos.

Pois bem. Sejam balões grandes com cestinho para estar dentro ou balões desses pequeninos, todas essas histórias de se transportar em balões não existiriam se não fosse o invento de um religioso brasileiro chamado Bartolomeu Lourenço Santos.

Ele foi a primeira pessoa a fazer testes a utilizar balões como meio de transporte e iniciou seus estudos ainda muito novo, em 1708, como apenas 23 anos. E sabem onde foi que a tentativa finalmente deu certo, após cinco testes frustados? Em Lisboa!

Mas vamos contar essa história. O padre voador, como assim ficou conhecido, iniciou seus estudos ainda em São Paulo no Brasil, e foi lá que apresentou seu estranho invento (então o primeiro aparelho a vencer a gravidade) e que foi Batizado de nome ¨passarola¨ (uma espécie de fábula da fauna brasileira).

Abaixo, ilustração das tentativas à Corte Portuguesa:

balão

Como retratado acima, as apresentações em Portugal foram todas feitas a Corte portuguesa e, um pouco desastrosas, assim digamos.  Já na primeira tentativa de voo, o invento pegou fogo. Na segunda vez, subiu quatro metros de altura e foi derrubado por serviçais do Palácio Real, pois havia medo que aquele estranho objeto voante queimasse as cortinas do Palácio. Então, na quarta tentativa, a ¨passarola¨ conseguiu chegar ao teto do Palácio e na quinta tentativa alcançou voo e voou, voou alto. Subiu pelos campos e predarias de Lisboa, desde o Castelo de São Jorge até o Terreiro do Paço, cerca de um quilômetro e desceu sem pegar fogo. Enfim, sucesso!

A história logo se espalhou por toda Europa e Bartolomeu ficou muito conhecido. Infelizmente a fama lhe trouxe, além de coisas boas, a implicância da igreja que disse que ele queria ser Deus. Assim, o padre do balão voador foi perseguido pela Santa Inquisição.

Mas isso não o impediu se inventar outras maravilhas como a bomba elevatória de água (sim! foi também ele quem a criou) e um sistema de lentes para assar carne ao sol.

Bartolomeu é um dos personagens centrais do livro Memorial do Convento, do escritor português José Saramargo, ganhador do Nobel de Literatura. Na obra, o padre é retratado como um homem que ficou dividido entre a ciência com sua enorme genialidade ao inventar um objeto voador e a religião e a vontade divina de fazer o homem como Deus quis: sem assas.

Bartolomeu Lourenço Santos faleceu em Toledo, Espanha em 1724. Talvez, seja por sua herança, que nessa belíssima cidade medieval tenhamos tantos passeios de balão hoje em dia.

Adaptado da fonte.

padre

Imagem do padre Bartolomeu Lourenço Santos

—–

Who hasn’t dreamed of flying on a balloon above the Capadocia’s stunning landscapes, the magnificent African deserts or participating at the beautiful Balloon Festival in Temecula, California? Even dreaming on flying freely above the skies as seen in films or in tragic endings like in 2008 the Brazilian priest who believed he could be carried  miles away suspended by colourful balloons.

Big balloons with a small basket or  very small balloons couldn’t exist without the invention by a priest called Bartolomeu Lourenço Santo.

He was the first person to test balloons as a mean of transportation and began his studies, really young in 1708, with 23 years old. And do you know where did he make his first attempt, after five failed tests? In Lisbon!

But we will tell the story. The flying priest, as he was known by, began his studies in São Paulo, Brazil, and it was there where he presented his strange invention, by then the first engine to conquer gravity. It was named passarola (a big bird which belongs to a Brazilian fable).

As portrayed above, the presentations in Portugal were made at the Portuguese Royal Court and they were a bit of a disaster. At the first flying attempt, the flying machine caught fire. At the second attempt, it raised four metres above ground and it was knocked down by the Royal servants to prevent fire the curtains. Then, at the fourth attempt, the passarola, reached the Palace’s ceiling and at the fifth attempt it flew high from  Sao Jorge Castle to Terreiro do Paço, above fields and sidewalks of Lisbon. One km without setting itself on fire. A huge success!

This story was spread in all Europe and Bartolomeu became famous.

Unfortunately the fame brought him, besides good things, the criticism from the Catholic church, arguing that he wanted to be God. The flying priest was persecuted by the Inquisition.

But that didn’t stop him from inventing other wonders like the elevating water pump (yes, he was the inventor) and a lens system to roast meat in the sun.

Bartolomeu is one of the main characters from the novel Memorial do Covento, by the Nobel Prize winner José Saramago. In his novel, the priest is portrayed as a man who becomes divided between science with his genius mind, inventing a flying object and religion which defends that  God’s will is to make a man without wings.

Bartolomeu Lourenço died in Toledo, Spain in 1724. Maybe  was there he left his heritage. Nowadays, there are many balloon rides in this beautiful medieval town.

Translation: Isabel Bernardo
Grazielle Favretto
Grazielle Favretto
Jurista de formação e viajante por paixão! Blogueira e eterna pesquisadora de roteiros alternativos, a Grazi é italo-brasileira e escolheu Portugal para viver, após olhar vários cantinhos pelo mundo em suas viagens. Nesse lindo país, vai continuar descobrindo mais e mais lugares, compartilhando as aventuras e, agora, quer levar todo à Fota da Rota!

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