Estamos a chegar ao Carnaval, época de grande folia e diversão! Como se costuma dizer: É Carnaval, ninguém leva a mal! Por isso, tudo vale! É altura de pregar partidas, de fazer disparates, de mandar bombinhas mal cheirosas para o chão, de atirar balões de água e tirar do armário o vestido mais foleiro. Ninguém se acusa de andar mal vestido. É Carnaval, pois então! E a risada é geral.

O chamado Entrudo serve para designar o período que antecede a Páscoa e tem origem no latim – Introitu – Início. Esta celebração, existe muito antes do nascimento de Cristo e estava relacionada com os cultos pagãos dedicados à fertilidade, o regresso à luz e à abundância. E isto acontecia um pouco por todo o lado – no antigo Egipto havia o culto a Isis e a Apis, em Atenas celebravam-se ‘’festas de Bacanais’’, dedicadas a Dionísio, enquanto que os romanos faziam, na mesma altura, o culto a Saturno, protector da agricultura e das sementeiras.

A Igreja Católica, tentou apropriar as celebrações pagãs, como forma de não excluir de todo estas tradições e os cristãos podiam, assim, despedirem-se em grande dos prazeres da carne antes da Quaresma.

(Imagem: Reprodução Viagem Italia)

Imagem: Reprodução Viagem Italia 

E Em Portugal, como em qualquer outro país católico, celebra-se o Carnaval com euforia um pouco por todo o país. Existem alguns locais como Torres Vedras, Ovar, Estarreja, Alcobaça, Silves ou até mesmo no Funchal onde se celebra com grandes cortejos, carros alegóricos a desfilar histórias com humor mordaz sobre a situação política, social e futebolística do país, ao som de ritmos brasileiros.
Mas longe destes cortejos e algazarra, vamos mostrar um Carnaval diferente, na região de Trás-os-Montes, Macedo de Cavaleiros, mais precisamente em Podence. E o que há em Podence, essa terra em que grande maioria de nós nunca ouvimos falar? Pois, apresentamos os Caretos de Podence. Ficaram ainda confusos?

 

(Imagem: Reprodução El Cuaderno de Mari)

Imagem: Reprodução El Cuaderno de Mari 

Passamos a explicar: os Caretos já têm marca registada e representam a celebração carnavalesca, com fortes influências pagãs. Chega-se ao mês de Fevereiro e os homens de Podence vestem-se com os fatos coloridos que vemos na imagem, feitos com colchas franjadas de lã ou de linho, em teares caseiros. Usam uma máscara e prendem uma enfiada de chocalhos à cintura e campainhas, correndo pelas ruas, celebrando os dias maiores que estão quase a chegar.

Dizem que esta tradição remonta ao tempo dos romanos em que se faziam as celebrações ao já referido deus Saturno e no século XX esta tradição esteve mesmo quase a desapacer durante a época da ditadura e o fenómeno da emigração. Contudo, retomou com força uma e hoje em dia contam-se com mais de 400 homens disfarçados de caretos a invadirem a praça na aldeia domingo e terça-feira de entrudo.
E ao que parece o futuro está garantido, com crianças a participar – os chamados Facanitos, vestidos com as mesmas fatiotas coloridas dos adultos.

(Imagem: Reprodução Wikipedia)

Imagem: Reprodução Wikipedia 

Atenção, raparigas solteiras! Os caretos são uns foliões e gostam de correr atrás delas, dançando à sua volta com o som dos chocalhos.

No final das festas, dá-se a queima de um boneco gigante que representa o Entrudo, dando o fim à folia e à diversão. Mas para o ano há mais!

Fonte: História do Carnaval consultada aqui.

Fonte sobre o Carnaval em Podence consultada aqui.

Isabel Bernardo
Isabel Bernardo
Nascida e criada em Lisboa, tem a literatura, línguas e turismo como formação e um carinho especial pelo património, história, escrita e música. Entra nesta aventura, pelo gosto que tem em construir historias e passeios e pelo contacto com as pessoas. Fora da Rota é isso mesmo! Uma viagem enriquecedora entre amigos, mostrando os encantos de Portugal!

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