Celebrou-se esta semana o dia 25 de abril o dia da Liberdade para Portugal. Este ano, nesta mesma data, inaugura-se o memorial dedicado a Zeca Afonso, no jardim das Francesinhas, junto à Assembleia da República. Zeca Afonso dedicou a sua vida à luta política contra o regime ditatorial que assolou o país durante 48 anos. As suas canções são ainda hoje intemporais, representando uma geração e um momento importante para a história de Portugal.

(Imagem: Reprodução É Bom e eu Gosto)

Imagem: Reprodução É Bom e eu Gosto

Quando se fala do 25 de abril de 1974 vem à memória musical, para a maioria dos portugueses, ” Grândola, Vila Morena”, a canção proibida pelo regime e que se tornou no hino da Revolução dos Cravos. A canção foi da autoria de Zeca Afonso. Nascido em Aveiro a 2 de agosto de 1929, José Afonso passou a sua infância em Angola e Moçambique, depois em Portugal, na vila de Belmonte. A sua consciência política desenvolveu-se  sobretudo em Coimbra onde fez o liceu e a licenciatura em Filosofia. No seu quinto ano de liceu cantava serenatas ao estilo da Canção de Coimbra e os alunos universitários chamavam-no de “bicho-cantor”. ”Bicho”, pois era a alcunha dedicada especialmente aos alunos de liceu e ”cantor” pelo seu talento e voz. Levou em Coimbra uma vida boémia, cantando o fado tradicional da cidade e no Orfeão, participando na Tuna universitária e jogando futebol na Associação Académica de Coimbra.

(Imagem: Reprodução Radio Renascença)

Imagem: Reprodução Radio
Renascença

Zeca Afonso começou a distanciar-se da Canção de Coimbra e a fazer as suas próprias composições, na sua maioria canções de intervenção política, na década de 60. Muito do seu trabalho foi censurado por criticar o regime. Ainda que se tenha mantido independente de partidos, o músico foi uma voz ativa na política. Representou a Resistência Democrática, foi preso pela PIDE (Polícia de Intervenção do Estado) e proibido de exercer a sua profissão como professor. Apesar de tudo, nunca deixou de intervir e dar voz à sua opinião, compor e cantar.

Depois da Revolução, continuou a dar sessões de apoio a diversos movimentos em Portugal e no estrangeiro e continuou a cantar.

José Afonso morreu em 1987, mas muitas das suas canções continuam a ser gravadas por numerosos artistas portugueses e estrangeiros, tornando-se no maior ícone da história contemporânea e da música em Portugal.

Se quiserem saber mais sobre a vida de Zeca Afonso poderão descobrir com o nosso Giro Coimbra!

Isabel Bernardo
Isabel Bernardo
Nascida e criada em Lisboa, tem a literatura, línguas e turismo como formação e um carinho especial pelo património, história, escrita e música. Entra nesta aventura, pelo gosto que tem em construir historias e passeios e pelo contacto com as pessoas. Fora da Rota é isso mesmo! Uma viagem enriquecedora entre amigos, mostrando os encantos de Portugal!

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